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Aparece um 'Crânio' Assustador numa Enorme Cratera Vulcânica no Saara.

Dois homens observam uma cratera no deserto com um grande desenho de caveira no seu interior ao pôr do sol.

A natureza “preparou” uma visão arrepiante no coração do Deserto do Sara: uma espécie de “crânio” desenhado no fundo de uma profunda depressão vulcânica.

Vista do espaço, a imagem parece mesmo uma aparição espectral - um rosto esbranquiçado a fitar, sombrio, a pele rochosa do nosso planeta. Apesar de ser apenas um efeito visual, é difícil não ficar impressionado com o que se vê.

Pareidolia: porque é que vemos caras onde elas não existem

Os seres humanos têm uma tendência natural para reconhecer rostos em objectos e padrões inanimados. Esse enviesamento neurológico é conhecido pelos cientistas como pareidolia - e torna-se ainda mais divertido (ou inquietante) quando o “rosto” parece sinistro.

Neste caso, a própria Terra parece ter composto uma expressão particularmente lúgubre.

Trou au Natron (Doon Orei): o “rosto” vulcânico do Sara

A “cara” assustadora é formada pelo Trou au Natron, um vulcão extinto no Chade, conhecido localmente como Doon Orei, expressão que significa “buraco grande”.

Fazendo jus ao nome, a caldeira pode atingir cerca de 1.000 metros de profundidade. A sua “máscara” branca resulta de um lago de soda - ou, mais precisamente, de crostas de uma mistura salina chamada natrão (o que explica o nome da caldeira), geradas pela actividade de fumarolas e nascentes termais.

Os “olhos” salientes e o “nariz” desse rosto são cones de cinzas, elevações cónicas que se formam em torno de condutas vulcânicas.

Montanhas Tibesti: altas, remotas e ainda pouco conhecidas

O Trou au Natron situa-se nas Montanhas Tibesti, o conjunto montanhoso mais elevado do Deserto do Sara. Contudo, por serem extremamente remotas, estas montanhas continuam a ser um território sobre o qual a ciência sabe menos do que seria de esperar.

Os geocientistas só começaram a estudar a região com maior consistência na década de 1960. Acredita-se que esta caldeira tenha estado, em tempos, preenchida por um lago glaciar, há cerca de 14.000 anos.

Hoje, já não é um espelho de céu estrelado. Em vez disso, parece lançar um olhar carregado sobre o abismo.

Como a paisagem cria a ilusão de um “crânio”

Este tipo de ilusão nasce da combinação entre contrastes de cor, sombras e relevo: o branco do natrão destaca-se fortemente contra as rochas mais escuras, enquanto os cones de cinzas e as depressões ajudam a “desenhar” traços faciais reconhecíveis. Visto de cima - sobretudo em imagens de satélite - o efeito torna-se ainda mais convincente, porque a perspectiva elimina referências de escala e reforça padrões.

Um laboratório natural no deserto

Além do impacto visual, o Trou au Natron é um excelente exemplo de como ambientes vulcânicos e salinos podem coexistir num cenário desértico. Entre depósitos minerais, antigas marcas de água e sinais de actividade hidrotermal, a caldeira guarda pistas valiosas sobre o passado climático e geológico da região - e lembra que, mesmo nos lugares mais isolados do Sara, a Terra continua a “contar histórias” a quem as sabe ler.

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